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O fundo da família Rockefeller, uma histórica família de magnatas dos Estados Unidos cuja fortuna foi feita há mais de 100 anos no negócio do petróleo, decidiu desinvestir na petrolífera americana Exxon, cujas raízes estão ligadas às primeiras refinarias dos próprios Rockefeller. A decisão tem mais impacto simbólico do que financeiro.

O fundo, que é uma entidade filantrópica e gere uns modestos 130 milhões de activos (a fortuna total da família não é conhecida, mas é largamente superior), vendeu as acções que tinha da Exxon e pretende acabar com todos os investimentos em combustíveis fósseis, que representam apenas 6% do total investido – um pouco menos de oito milhões de dólares.

Num comunicado publicado no site do fundo, a decisão é justificada com preocupações ambientais e com a tese de que não faz sentido haver empresas a investir na exploração de petróleo numa altura em que as autoridades estão a impôr restrições ao uso de combustíveis e a incentivar o recurso a energias alternativas. “Quando a comunidade global trabalha para eliminar o uso de combustíveis fósseis, faz pouco sentido – financeira ou eticamente – continuar a ter investimentos nestas empresas”, lê-se na nota.

À agência noticiosa Bloomberg, um porta-voz da Exxon afirmou que a empresa não está surpreendida com a decisão. “Não é surpreendente que eles estejam a desinvestir na empresa, uma vez que já estão a financiar uma conspiração contra nós”.

O fundo acusou também a Exxon de ter tido uma “conduta moralmente repreensível”. A afirmação surge no seguimento de informação divulgada por uma organização noticiosa sem fins lucrativos chamada InsideClimate News, que afirmou que a petrolífera tinha há décadas conhecimento do efeito de aquecimento global e não o comunicou aos investidores nem às autoridades. “Os factos parecem sugerir que a empresa trabalhou desde os anos 1980 para confundir o público sobre o avançar das mudanças climáticas, enquanto simultaneamente gastava milhões para fortalecer a sua própria infraestrutura contra as consequências destrutivas dessas alterações climáticas e identificava novas oportunidades de exploração [petrolífera] à medida que o gelo do Ártico recuava”, aponta o comunicado.

O texto reconhece a ligação histórica entre a família e o negócio do petróleo, mas argumenta que os tempos – e, por isso, as estratégias de investimento – estão a mudar: “A família Rockefeller tem tido uma longa e lucrativa história de investimento na indústria do petróleo, incluindo na ExxonMobil. Estas decisões, por isso, não foram tomadas de ânimo leve (…). Mas, a história avança, como tem de ser.” O comunicado termina com um apelo para que seja reconhecida “a profunda interdependência entre o futuro da humanidade e a saúde dos nossos sistemas naturais”.